José Andrade


E este olhar eterno que sempre me alcança? O que será feito dele? Me diz, como farei, quando eu estiver perdido em São Paulo. Era você que me ajudava a encontrar o destino certo. Bastava eu te ligar. As vezes, você vinha ao meu encontro no metrô. Será que alguma vez, eu serei capaz de andar na Paulista, sem me lembrar de você? Revi nossas conversas no bate-papo. O ano passado, após eu voltar do réveillon em Maceió lhe encontrei eufórico. Hoje voltei do réveillon em Salvador e lhe encontrei morto. Amigo, que loucura que é a vida!
Certo dia você escreveu: “Hoje passeando pela Paulista me lembrei de você. Adoraria te ver, conversar, ir à Livraria Cultura.” Amigo, não cumprir a promessa que lhe fiz. Fui a São Paulo duas vezes e nem lhe disse nada! Que vergonha que eu sinto! Às vezes, a gente acha que nunca vai morrer. Agora que a sua vida é vida imaginada, eu falo, imaginando-te me ouvir. Eu sei que me ouves!
Em fevereiro do ano passado você desabafou comigo: “Ando muito cansado, com olheiras... Quero que o mar leve tudo embora.” Você preferiu ir embora, descansar nos braços de Deus. Eu lhe compreendo. Quero que saiba que eu sempre lhe compreendi. Descanse em paz! Eu apenas lhe peço que continue olhando para mim com este olhar eterno que sempre me alcança. Quando eu estiver perdido em São Paulo ou em outra cidade vou chamar seu nome, Ed Rodrigo.

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