José Andrade

Ultimamente tem chovido bastante em São Paulo, Zona da Mata de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Região Sudeste, o que é comum, durante os meses de dezembro e janeiro. Chuvas de verão! Mas a chuva não vem sozinha, juntamente com ela vêm, raios, relâmpagos, trovões, pancadas de vento, frio, inundações, desabamentos, desespero e morte!
O silencio da noite fria em Taubaté, quero dizer Quiririm, quando Deminho ler esta crônica irá me perguntar se eu moro em Taubaté ao invés de Quiririm. Assim sendo, é melhor eu escrever que, o silencio da noite fria em Quiririm é sufocado pelo barulho da chuva e dos trovões que assombram todos os viventes desta simpática colônia agrícola de imigrantes italianos.
Abro a janela e vejo muita chuva, rajadas de vento, relâmpagos, trovões e raios que cortam o céu em pequenas fatias. As palmeiras imperiais que contornam a casa se contorcem e dançam para entreter a morte que se esconde por entre nuvens escuras e raios fatais. Na Rodovia Carlos Pedroso são poucos os motoristas que se arriscam trafegar entre a vida e a morte.
Lembro de quando eu era criança ter visto cair um raio bem pertinho da minha casa em Ribeira do Pombal, interior baiano. Eu estava nos braços de alguém, não me recordo quem era a pessoa. Repentinamente despencou uma nuvem de fogo do céu. Logo que ela surgiu imediatamente se desmanchou em várias bolas de fogo que caíram sobre um coqueiro á nossa frente. Em seguida ouviu-se um forte estrondo, depois não se ouviu mais nada a não ser o meu choro. O coqueiro sobre o qual o raio caiu, ficou com as palhas cravejadas como se tivesse recebido vários tiros. Esta é a lembrança, mas remota da minha vida, mas é como se fosse uma recente fotografia.
Triste cenário, este que se descortina agora, diante da minha janela; uma tempestade, um duelo, uma luta desigual entre as forças contrarias da natureza! Tranco a janela, fecho os olhos, apago a luz, abro a porta e saio. Peço a minha imaginação para me transportar a um lugar distante de tudo que agora eu vejo e ouço. Sou ave assustada em busca de outro verão.
Alço vôo em vão, não consigo!  Minha imaginação é leve, porém meu corpo é pesado, preso ao que nunca fui, mas ao que eu sonhava ser. Meu corpo é o Costa Concórdia, naufragado, impossibilitado de navegar pelas águas tranqüilas dos oceanos que deságuam no meu universo particular.
Ando pelo corredor em direção a janela para abri-la. Quem sabe o tempo tenha melhorado? Ao puxar a cortina, sacudida pelo vento, vejo meu rosto, refletido na vidraça, olho com cuidado para ele. É meu este o rosto que eu vejo! Tão diferente do que eu imaginava ter!  Meus olhos assustados confessam ao espelho minhas contradições. Olhos às vezes são palavras e os meus, dizem com todas as palavras o que eu não quero ouvir! Há um provérbio que diz que os olhos são o espelho da alma e nos meus está escrito: A TEMPESTADE QUE DEVES TEMER ESTÁ DENTRO DE VOCÊ! É verdade!
Olhe você também o seu rosto refletido no espelho, como se fosse a primeira vez! Preste bastante atenção em seus olhos até se cansar. Se quiser preste atenção no seu olhar nas fotografias mais recentes. O que você conseguiu ler em seus olhos?

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