José Andrade
As plantas rasteiras exibiam as gotas de chuva sobre as folhas num deslumbrante paetê de esmeraldas. Águas passando, levando a matança, o trem, o barco, o carro, o badalo, o caule, a flor da manhã e meu coração. Por entre a luz e a alegria daquele dia passou uma carroça levando vasos com leite e sonhos. Um menino tange o burro que puxa a carroça como quem tange a má sorte para além da Pedra do Cavalo.
O burro puxando sonhos e transportando o dia, o badalo do velho sino toca uma espécie de canção infantil para enganar os que inventaram as horas. Vi e ouvi no campanário solitário; o choro destes meninos que se desencontraram da infância, vendo-a desfazer-se em lagrimas que se estendem pela paisagem verde esmeralda até encontrar as águas soberbas do Rio Paraguaçu que separam as cidades gêmeas; São Felix e Cachoeira.
