
Segunda-feira, 30 de novembro, quando fiquei sabendo do falecimento de Luciano Camacam fiquei perplexo, atônito, procurei na escuridão da noite um ponto firme, concreto, onde pudesse fixar meu olhar e encontrei apenas o abstrato do fato e da ausência. Mas neste caso, a ausência não é falta, é presença de quem partiu, mas vivo está porque viverá em nossos corações.
Em circunstancias assim como essa, parece que a gente entra numa sala de cinema e de repente, começa a serem projetadas na telona as cenas dos momentos vividos na companhia da pessoa que morreu. Foi assim que me lembrei de Luciano, ainda no primeiro semestre do curso de jornalismo na Faculdade da Cidade do Salvador. Ele demonstrava ser um obstinado pelo texto jornalístico de boa qualidade. Cuidadoso e curioso como era, logo descobriu o seu lugar no amplo terreno da atividade jornalística; fazer jornalismo na televisão. Eis a sua aspiração profissional! Atualmente ele pode apalpar este sonho trabalhando na produção do Programa da Mira na TV Aratu.
A vida mudou e tivemos que seguir caminhos diferentes; eu estudando no turno matutino e Camacam no turno noturno. Passei a vê-lo esporadicamente e quase não nos falávamos. Voltei a encontrá-lo na semana em que nos preparávamos para apresentar nosso trabalho de conclusão de curso. Ele continuava o mesmo; cheio de projetos e empreendimentos. Era uma pessoa que sabia o que queria, sabia lutar pelo que queria. Ele estava convencido da sua vocação. Parecia cada vez mais determinado, corajoso, valente, desafiador. Era assim Luciano; desafiava os obstáculos, o perigo e o medo. No entanto, naquele dia, percebir que dentro dele algo havia mudado. Sutilmente, delicadamente, aquele menino rebelde de outrora, estava se tornando não apenas um jornalista de primeira grandeza, mais também um rapaz sensato, cuidadoso e amoroso com as palavras e as pessoas. Deus já estava lhe preparando para se despedir deste mundo.
Recebi uma ligação dele no dia 10 de outubro, dizendo que queria falar comigo pessoalmente. No momento em que recebi o telefonema eu estava impossibilitado de atendê-lo por me encontrar em Campos do Jordão-SP. O que será que o meu amigo tinha de tão importante para me dizer? Nunca vou saber.Seria eu para ele uma metáfora de alguém que pudesse lhe escutar? Creio que sim! Ele hoje foi para o céu conversar com Jesus Cristo, seu amigo fiel de todas as horas que lhe escuta e abre para ele as portas do paraiso. O Bom Pastor está a lhe dizer neste momento: Venha filho querido do meu pai, habitar nesta paz que por te foi desejada. Venha habitar na morada que um dia foi preparada para você. Quem conviveu com Luciano Camacam, não poderá esquecer o brilho dos seus olhos. “Olhos são palavras,” disse o poeta Pablo Neruda. Os olhos de Luciano são sorrisos. Ele sorria com os olhos. É assim que ele está diante de Deus; sorrindo com os olhos e Deus sorrindo para ele. Nós também olhamos sorrindo para o céu e agradecemos ao Deus da vida por Ele ter permitido que Camacam viesse a este mundo para nos ensinar que na vida vence quem persevera, quem enfrenta o dia-a-dia com otimismo e força de vontade. Começar uma caminhada não é tarefa difícil, difícil mesmo é chegar onde se pretende chegar. Para quem está perdido qualquer caminho é caminho, mas Luciano sempre sobe qual era o seu caminho. Ele sabia onde queria chegar. Hoje ele chegou onde sempre quis estar e o Pai do Céu o acolheu, cobriu-lhe o rosto de beijos e deu-lhe a plenitude da vida.
Dê um abraço em Deus Luciano, diga a Ele que estamos todos com saudade de você. Nós, seus amigos que aqui ficamos, vamos fazer bonito, vamos cumprir nossa missão para honrar a lição que você nos deixou. Um dia estaremos onde você está agora, já estamos caminhando ao teu encontro. Chegaremos aos pouquinhos; um á um, até que um dia estaremos todos juntos gozando da perpétua alegria de um convívio celeste.
Até breve!