JOSÉ ANDRADE

A cidade agora é um vão de luz deixado para trás. Eu vou avançando pela estrada, me embrenhando na noite. Mas esta, não é uma noite qualquer, pois ela nos remete a outra que jamais foi esquecida. A noite escura do Monte das Oliveiras, nela se embrenha Jesus, faz parte dela a solidão e o abandono vivido por Ele, que, vai ao encontro da escuridão e da morte.

Olho para traz, não avisto sequer um único vestígio da cidade, agora submersa no negrume da quinta-feira da paixão, eu embrenhado nela, sendo arremessado à noite dos tormentos. Faz parte desta noite a traição de Judas e a prisão de Jesus, bem como a negação de Pedro; e ainda a acusação diante do Sinédrio e a entrega aos pagãos, a Pilatos.

Jesus embrenhado na noite... Ele parece recuar assustado diante de uma realidade tão monstruosa! Sinto-me deveras também assustado, embrenhado na escuridão de tal sorte que dentro de mim também é noite.   Sinto que é noite. Não porque escureceu e a cidade ficou para traz, mas porque dentro de mim, no fundo de mim, residem os mesmo sentimentos de Cristo.
 Jesus estende o olhar pelas noites do mundo: vê a maré das nossas circunstâncias feitas de mentira, da não compreensão, da falta de dialogo, do obscurecimento da verdade. Nós também somos noite! Não nos vemos um ao outro. Diria Drummond: Que adianta uma lâmpada, uma voz? É noite no meu amigo!  É noite no Monte das Oliveiras, no meu coração...
 Jesus entra na noite para ilumina-la, transforma-la em dia! Diria ainda Drummond: É noite, não é morte, é noite! Não é dor e nem paz, é noite.

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