José Andrade

Eram brancas as paredes, todas eram brancas como se fosse neve, sem exceção alguma. O céu que cobria o dia era de um azul quase antes nunca visto nem no céu e nem na terra. Deslumbrante o altar da Virgem Maria! A luz vinda do jardim, penetrava por entre as celas derramando-se quase por inteira no claustro marcado pelos últimos passos de um homem que na sua agonia plantou a flor das horas de cada dia. A janela descortinando o horizonte onde a fé foi preservada pelos séculos sem fim nos aponta a direção de onde vêm às vozes que são ouvidas pelos serafins, querubins. Vozes de além terra, nuvem, mar, vindas de quem traz nas mão flores de jasmins para ofertar a manhã que traz o dia sem fim, sem tarde e sem amor. Livrai-nos benditos de Deus, vós que gastais a vida sobre as horas que passam no paço e no claustro deste convento. Livrai-vos e livrai-nos da liberdade sem liberdade. Pelas horas que passam livrai-nos e livrai-me de mim.

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