Mário Quintana
Eu amo de um amor que jamais saberei expressar essas pequenas ruas com suas casas de porta e janela, ruas tão nuas, que os lampiões fazem ás vezes de álamos com toda a vibratividade dos álamos, petrificadas nos troncos imóveis de ferro, ruas que me parecem tão distantes e tão perto há um tempo que eu as olho numa triste saudade de quem já tivesse morrido, ruas como as que agente vê em certos quadros, em certos filmes: meu Deus, aquele, reflexo á noite, nas pedras irregulares do calçamento, ou a ensolarada miséria daquele muro ao perder o reboco... para que eu vos ame tanto assim, minhas ruazinhas de encanto e desencanto,e que expressais alguma coisa minha ... só para mim...